Antônio Evangelista, Brunno Vianna, Clodoaldo Lima, Felipe Favrat, Guilherme Aniceto, Guilherme Laport, José Franklin, Kevin
de Oliveira, Rodrigo Ferreira, Samuel Joaquim e Wilson Guanais.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
Textos Sobre Viver
Com o objetivo de incentivar a leitura e a escrita, e também para ocupar as pessoas em casa nesses tempos de isolamento social, idealizei uma antologia literária de forma independente intitulada Sobre Viver. O projeto conta com onze escritores que escreveram seus textos ao longo da quarentena. Estou trabalhando para que o acesso aos textos seja amplo e gratuito para todos. Por isso, estou retomando o blog Encontro de Cultura, onde os trabalhos serão publicados em primeira mão. Alguns também constarão na página @espelhodeleituras, do Instagram. Por hora, anuncio os onze participantes:
sexta-feira, 24 de maio de 2019
Pequenos Burgueses
Eu estava fazendo uma pesquisa sobre os artistas russos,
quando encontrei “Pequenos Burgueses”, peça de Máximo Górki em um sebo.
Justamente pelo fato de ter pouco material de dramaturgia russa, comprei. Não
foram as poucas vezes que comparei as conjunturas do tempo/espaço vinculados à
obra, no caso, o período pré-revolucionário, com a realidade do Brasil contemporâneo.
Sim, a obra, escrita em 1901 se mostra bem atual. Talvez as sociedades é que não tenham mudado tanto assim.
O texto permite uma reflexão sobre a importância da
Filosofia, sobre o armamento e o desarmamento de uma sociedade e sobre o
assédio, temas recorrentes em nossos dias. Há um duelo de convicções e
ideologias, estampado nas falas e nas das personagens, ainda que integrem
o mesmo ambiente familiar. As mulheres
se mostram oprimidas pelas tradições burguesas. As não-casadas eram rejeitadas.
Percebe-se, inclusive, o embrião da revolução na figura do proletário Nil.
“Pequenos Burgueses” foi uma das primeiras peças escritas por Gorki. Sofreu muito com a censura, que não conseguiu impedir o seu significativo sucesso no solo russo. No Brasil, este foi o segundo espetáculo dirigido por Zé Celso do Teatro Oficina, em 1963.
“Pequenos Burgueses” foi uma das primeiras peças escritas por Gorki. Sofreu muito com a censura, que não conseguiu impedir o seu significativo sucesso no solo russo. No Brasil, este foi o segundo espetáculo dirigido por Zé Celso do Teatro Oficina, em 1963.
terça-feira, 7 de maio de 2019
Sobre os cortes nas Universidades Federais
Os recentes cortes nas
universidades federais estampam os noticiários e já mobilizaram centenas de
institutos e colégios federais no último dia seis, assim como acadêmicos de
mais de oitocentas universidades de todo mundo, entre elas, Harvard. Porém,
sabemos que desvalorização da educação brasileira não começou hoje. Também sabemos
que um corte na educação em qualquer circunstância fere o país. Depois de
analisar com o maior cuidado matérias de diversos veículos midiaticos e ouvir
pessoas da esquerda e da direita, principalmente, profissionais da educação,
resolvi escrever este texto.
O francês Le Monde e o britânico
The Guardian são alguns dos veículos externos que criticaram a ação de Bolsonaro,
destacando os ataques do Presidente às Ciências Humanas, principalmente
Filosofia e Sociologia. O doutorando Derick S. Baum, um dos autores da carta de
Harvard, assinada em tempo recorde por pelo menos oito mil sociólogos,
considerou as propostas de Bolsonaro como um ataque à democracia brasileira.
Certamente, as pessoas que defendem
os cortes carregam seus motivos para fazê-lo. Entende-se que entre esses
motivos estão as balburdias, enquanto compartilham imagens de pessoas nuas
dentro das universidades. Das imagens mais compartilhadas, uma, tirada na
Universidade de Brasília (UnB), trata-se de um protesto referente ao caso Geizy
Arruda, na época, expulsa da Universidade Bandeirante (UNIBAN), por usar um
vestido curto, em 2009. Neste caso, consta-se que os responsáveis foram
devidamente punidos pela reitoria. A
outra imagem, por sua vez, foi registro de um trabalho de Filosofia da
Universidade Estadual de Londrina, que justamente por ser estadual foge do
parâmetro federal.
O que precisa ser compreendido é
que esses acontecimentos se enquadram na exceção e não na regra. Uma
manifestação neste sentido é responsabilidade de um grupo isolado. Portanto, cabe
aos reitores das instituições tomarem suas providências punindo os
responsáveis. Não cabe ao governo atacar as instituições como um todo. Punir as
instituições é punir milhares de pessoas que querem de fato estudar.
Outros motivos que essas pessoas
citam são os erros dos governos anteriores, como se o erro de um governo
tornasse o erro do outro governo justificável, e por fim, a utilização de
verbas sem os devidos esclarecimentos. É claro que os gastos precisam ser
esclarecidos, que precisam nos prestar contas e que nós precisamos cobrar. Nenhum
cidadão de sã consciência é a favor que se empurre a verba educacional para de baixo
do tapete. Vale citar o rombo de 40 milhões da UFRJ.
Por outro lado, é notável que o
sufocamento das universidades federais é um projeto, afinal, quem está na vice-presidência
da Associação Nacional de Universidades Particulares é justamente Elizabeth
Guedes, irmã do ministro Paulo Guedes. Considerando as dimensões de uma universidade
pública, não é difícil constatar que as consequências dos cortes são nocivas
para a sociedade, já a curto prazo, em virtude, também do descaso perpetuado ao
longo dos anos.
Uma
universidade pública gasta com luz, água, limpeza, computadores, ar
condicionado, ventiladores, elevadores, lanchonetes, bibliotecas, cursos de
extensão, laboratórios, pesquisas variadas como as de célula-tronco, tratamentos
para Alzheimer e diabetes.
O
Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí foi a instituição mais
afetada pelo corte de verbas adotado pelo Ministério da Economia do governo
Bolsonaro, que cortou 100% dos R$ 7 milhões autorizados. O valor bloqueado seria
destinado à adequação de área para funcionamento da Unidade de Terapia
Intensiva Coronariana (UCO), o que permitiria a ampliação da capacidade de
realização de cirurgias cardíacas, vasculares, neurocirurgias e procedimentos
de hemodinâmica. Já a Universidade Federal de Alfenas, em Minas Gerais, cortou
400 bolsas de auxílio moradia de alunos oriundos de outras cidades e fechou o
Restaurante Universitário.
A
UFRJ, considerada uma das melhores universidades não só do Brasil, mas também
da América Latina, estando na quarta colocação do ranking de produção
científica do Brasil, possui cento e trinta cursos, sessenta e sete mil alunos
de graduação, mil e duzentos laboratórios, quarenta e cinco bibliotecas, quinze
museus e um parque tecnológico. Ela vai sediar agora em maio o I Encontro
Latino-Americano de Pós-Graduação. Em contrapartida, vale destacar que a
universidade tem em seu histórico fortes denúncias de desvio de verba (50
milhões) pela reitoria.
O
colégio Pedro II, por sua vez, possui 14 campi no Estado do Rio de Janeiro. O
Hospital Universitário Antônio Pedro, da UFF, é a maior unidade de Saúde da
Grande Niterói. Juntamente com a
FIOCRUZ, a UFF descobriu moléculas capazes de combater a leucemia. O programa
de pós-graduação desta universidade possui nota máxima na avaliação da CAPES. A
UFRRJ tem um projeto de extensão voltado para crianças autistas. Os alunos da
Universidade Federal do Triângulo Mineiro ministram aulas para população de baixa
renda. A UNICAMP criou colírio que evita perda de visão dos diabéticos e um
remédio capaz de matar células do câncer de bexiga. Professores e alunos do curso de Engenharia de
Alimentos da Universidade Federal do Ceará desenvolveram em 2018 um ketchup
feito a partir da acerola, ganhando prêmios no Salão Internacional da
Alimentação, na Feira de Negócios Inovadores, realizada em Paris. Parte dos
lucros obtidos com a venda do produto foi direcionada para instituições de
caridade.
Sendo
o governo do PSDB, do PT, do MDB, do PSL ou qualquer outro, um corte na
educação é sempre mais que um corte. Cortar verba de universidade federal é
cortar pesquisa, cortar saúde, cortar estrutura para que o professor possa
trabalhar, é cortar a inclusão, é cortar a esperança de uma nação.
Sites
consultados:
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
Sobre azul e rosa desde preto e branco
Damares, a ministra da goiabeira, acrescentou em seu histórico mais um episódio inusitado. Teve destaque nas redes sociais um vídeo em que a ministra diz que "menino veste azul e menina veste rosa. Diante de tantos problemas que assolam o Brasil perante ausência de políticas públicas é de se estranhar que a ministra justamente dos Direitos Humanos queira impor qualquer coisa à sociedade.
Até que ponto a cor de uma roupa pode representar a identidade de uma pessoa ou medir caráter? Até quando o tamanho de uma roupa vai servir de justificativa para culpabilizar as mulheres que são violentadas física e moralmente todos os dias? Vestir roupa azul ou rosa não diz quem você é, mas o fato de querer que as outras pessoas vistam uma cor ou outra, diz muito sobre você.
Permito-me nesta postagem, abrir um leque de dúvidas, considerando, num mar de hipóteses, que a mesma teria usado uma metáfora, figura de linguagem, onde uma palavra é usada em um sentido que não é tão comum. O fato de ser uma metáfora reduziria a gravidade do discurso na conjuntura atual? De qualquer forma, sendo metáfora ou não, seria uma tentativa de enquadrar pessoas em esteriótipos.
Vejam abaixo a imagem de uma criança com um vestido branco. A criança em questão é Franklin Delano Roosevelt. Na época, os vestidos eram comuns em meninas, mas também em meninos, pelo menos até os sete anos de idade, assim como a cor rosa era mais usada por meninos e a cor azul era mais usada por meninas. Os cabelos dos meninos também eram cortados pela primeira vez nessa faixa etária.
Vejam abaixo a imagem de uma criança com um vestido branco. A criança em questão é Franklin Delano Roosevelt. Na época, os vestidos eram comuns em meninas, mas também em meninos, pelo menos até os sete anos de idade, assim como a cor rosa era mais usada por meninos e a cor azul era mais usada por meninas. Os cabelos dos meninos também eram cortados pela primeira vez nessa faixa etária.
Casal de irmãos nos EUA em 1905
Não faço esta postagem para polemizar ou incentivar nada, apenas aproveitei o ganho das últimas notícias para mostrar o quanto os costumes mudam com o tempo.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
AS FACETAS DE KARLA ANTUNES
Recentemente organizei o Prêmio de Reconhecimento Popular e a a Karla foi a vencedora na categoria Ativista Cultural. Ela é professora, escritora e mãe. Certamente faz a diferença dentro de cada uma dessas funções que ocupa, mas isso não é o suficiente. Karla é multifacetada. As várias faces de Karla Antunes não cabem em seu nome. Ela precisa ser Karla Antunes, Klara Rakal e tantas outras reinvenções que surgem pelo caminho. Karla precisa ser raiz, ser asa e ser ninho. Ela faz isso com tanta propriedade e quem vê pensa até que é fácil.
Karla simplesmente faz o que ama e ama o que faz. Karla precisa ser prosa para ser firme e precisa ser poesia para desaguar. Karla precisa ser rio de água doce, mas também precisa ser mar. Sendo mar, ela se renova a cada onda, se reinventa e nos serve de referência. Ás vezes se aquieta, às veze se agiganta, mas não perde a luz própria. Na verdade, se for fazer as contas, Karla não diminui, ela soma, multiplica, divide...
Essas várias faces de Karla Antunes são bem visíveis por quem frequenta bimestralmente o Sarau do Bar. A cada edição uma surpresa: microfone aberto, concurso de poesia, teatro, dança, música, quadros, comidas e todas as artes possíveis e inimagináveis. E o melhor, com todos os artistas e ouvintes se sentindo em casa. É uma honra vê-la contemplada com este prêmio, e com os outros que chegaram e chegarão. Se nos últimos tempos os artistas passam por dias difíceis, desejo que o Prêmio de Reconhecimento Popular sirva de inspiração para que continue sua jornada, por sua vez, inspirando tanta gente que como eu segue em linhas retas ou tortas os caminhos dos versos.
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
Sobre o PRÊMIO DE RECONHECIMENTO POPULAR
Eu tomei a iniciativa
de criar o PRÊMIO DE RECONHECIMENTO POPULAR para reconhecer e incentivar
artistas de vários seguimentos. Trata-se de um prêmio simbólico, visto que não
possui ligação direta, tampouco, indireta com qualquer instituição e como tal, teve
uma repercussão maior que a esperada. Por
causa deste prêmio tive a oportunidade de conhecer novos artistas e seus respectivos
trabalhos e de saber que pelo menos em minhas redes sociais tem muita gente
lendo e indo ao teatro.
Desde ontem estou
pensando nas melhores palavras para escrever este texto e agradecer a vocês que
indicaram os artistas, a vocês que votaram, que compartilharam, que curtiram,
que confiaram em mim em mais essa empreitada.
A primeira categoria pensada foi ATIVISTA CULTURAL, justamente, para valorizar àqueles que lutam para manter a cultura de pé. A contemplada foi KARLA ANTUNES, que organiza bimestralmente o Sarau do Bar, na Ilha do Governador. Esta vitória mostra que não precisamos ir muito longe para fazer a diferença, pois a Karla deu início ao sarau no bar dos pais dela, onde estiveram reunidos poetas, cantores, atores, pintores e dançarinos.
A Ilha do Governador
se revelou um lugar onde a arte floresce. De lá, Adriano Soares e Suzana Jorge,
autora de Textura Carioca, livro que venceu na categoria LIVRO DE POESIA,
alcançaram o topo da categoria LITERATURA INDEPENDENTE, ao lado de Wallyson
Souza, de Santa Rita (Paraíba). Já na categoria LIVRO DE PROSA, responsável por uma das disputas mais acirradas, a escolha foi A FRONTEIRA, romance de GUILHERME MAIA.
No que diz respeito
ao Teatro, a Ilha do Governador também marcou presença através do espetáculo DONA
CAROLA de Aloísio Villar, que conquistou o primeiro lugar na categoria TEXTO,
empatando com John Marcatto, autor de NASCITUROS. Além desta, várias outras
categorias empataram. Em DIREÇÃO TEATRAL, tivemos Breno Sanches por PELOS 4
CANTOS DO MUNDO e Viviani Rayes, em sua primeira direção com PARA ONDE IR. Em
ATOR, tivemos quatro vencedores: Alexandre Lino por O PORTEIRO, Déo Garcez por
LUIZ GAMA – UMA VOZ PELA LIBERDADE, Johm Marcatto por NASCITUROS e Yashar
Zambuzzi por PARA ONDE IR.
Na categoria ATRIZ, o
empate foi entre Jeane Fontes (DONA CAROLA), Belle Lopes (DOM CASMURRO) e Viviani
Rayes (BLACKBIRD). FAVELA 2 – A GENTE NÃO ESQUECE foi escolhido como melhor ELENCO
e PARA ONDE IR como o MONÓLOGO. PARA ONDE ir empatou com BLACKBIRD na categoria MONÓLOGO. Já na
categoria musical, FAVELA 2 empatou com PIPPIN.
Finalizando, aproveito para citar o espetáculo POR ELAS, idealizado e apresentado no Centro Cultural do Poder Judiciário, que diante da função social da temática (violência contra a mulher), ganha uma MENÇÃO HONROSA ESPECIAL.
Finalizando, aproveito para citar o espetáculo POR ELAS, idealizado e apresentado no Centro Cultural do Poder Judiciário, que diante da função social da temática (violência contra a mulher), ganha uma MENÇÃO HONROSA ESPECIAL.
segunda-feira, 4 de junho de 2018
Artistas da Zona Norte
Zona Norte Presente!
Cresce o número de eventos literários
no Rio de Janeiro, mas o espaço preenchido por autores da Zona Norte ainda é
aquém do esperado. Os motivos para esta lacuna são discutidos por escritores como Adriano Soares, Brunno Vianna, Karla Antunes, Mc Martina, Pedro Marinho, Rodolpho Gabry, que consideram a existência de um isolamento regional. Os artistas da Penha frequentam somente os eventos da Penha e os da Tijuca permanecem na Tijuca. É visto, porém, que timidamente novos ares começam a aparecer. Neste sentido, o Sarau do Bar além de chamar a atenção dos artistas da Ilha do Governador, onde ocorre bimestralmente, já atrai olhares de artistas de outras regiões, visto que a última edição do sarau contou com o lançamento do livro Perdas e Ganhos do popular Bruno Black.
A ausência de espaços promovidos pelo poder público para que a literatura alcance outro patamar é a principal queixa da escritora. Os escritores Adriano Soares, Brunno Vianna e Rodolpho Gabry fazem coro. É um equívoco pensar que a Zona Norte produz pouco. O que existe é uma descentralização da cultura local e pouco incentivo da leitura e da escrita. O escritor Pedro Marinho, que trabalhou em duas unidades de uma grande rede de livrarias, sendo uma na Zona Norte e outra na Zona Sul, ressaltou que não só o número de compradores desta é maior, mas o número de frequentadores também. A falta de leitores ou de uma política que forme novos leitores está ligada diretamente ao fato de possuirmos na Zona Norte do Rio de Janeiro poucas livrarias e espaços culturais.
Os lançamentos
de livros, o microfone aberto, as apresentações de Teatro e Dança, o CoNcUrSo De PoEsIa InStÂnTâNeA e as demais apresentações reafirmam a capacidade de reinvenção de Karla
Antunes, a organizadora do Sarau do Bar, que agora é realizado no Condomínio
Santos Dumont. Em tempos em que é comum constatar a desvalorização da cultura, o Sarau do Bar mantém o crescimento e agrega todos os tipos de artistas. Para atrair novos olhares ao seu projeto, Karla não abre mão das
redes sociais, acreditando que elas podem ampliar as vendas de livros.
Brunno Vianna, vencedor de uma das edições do CoNcUrSo de PoEsIa InStAnTâneA do Sarau do Bar e do Concurso Literário Machado de Assis enfatiza a importância desses concursos na descoberta de novos nomes da literatura. O poeta organizou recentemente em parceria com Dilson Lopes o I Concurso Literário promovido pela Biblioteca Comunitária Conceição Maria Lopes. Karla Antunes conquistou a terceira colocação. O vencedor, Edson Gama, também é morador da Zona Norte do Rio de Janeiro, que contou com outros classificados como Danilo Maia, Deborah Rocha e José Pontes.
O reduzido número de livrarias, editoras e plataformas encarecem o acesso aos livros. Carecemos sim de políticas públicas, mas não é por isso que os escritores podem jogar suas frustrações nas costas do governo. Se a quantidade de escritores nacionais publicados ainda não é satisfatória, a poesia falada encontra cada vez mais adeptos através do slam (batalha de poesias), que revelou nomes como Mc Martina. Hoje, em parceria com o irmão ela organiza o Slam Lage, que completou um ano recentemente. No pouco tempo de existência mostrou o quanto o Morro do Alemão estava sedento por arte.
O Slam Lage é uma forma eficaz da favela dialogar com a própria favela, mas não é apenas isso que Mc Martina almeja dentro desses eventos. A ideia é levar o Slam Lage também para as ruas para que o estado inteiro conheça e reconheça a voz da favela. O empenho da artista já é valorizado, inclusive, pela mídia televisiva. Ela chegou a participar do programa Criança Esperança e Conversa com Bial, ambos da TV Globo.
Pode-se dizer que o espaço ainda é muito fechado para os escritores da Zona Norte, mas encontrar uma brecha é possível. Se os entraves são grandes, por outro lado, artistas como os citados nesta matéria fazem a diferença, sobretudo, na vida dos demais artistas que os rodeiam. A literatura brasileira para muitos padece, mas cada escritor tem diante de si um papel, uma caneta, as tecnologias, a sua voz e o mundo inteiro, basta ter a coragem de ocupar o que for possível, basta entender que a cultura da Zona Norte do Rio de Janeiro não é linear e buscar novos caminhos para fazê-la acontecer.
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