quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Lançamentos de livros

O blog Encontro de Cultura volta das férias falando da nova safra de poetas. Faz muito tempo que não vejo um mês tão movimentado quanto novembro. Isso só mostra que apesar da crise, a cultura resiste. A FLUPP da Cidade de Deus mostrou a cara desta resistência, autores que nascem na margem e que muitas vezes só encontra caminho na literatura independente, poetas e poetisas que buscam um lugar ao sol. Para quem quer conhecer alguns dos novos autores, no dia 18 / 11, Débora Zambi estará lançando o seu livro "João de Monte Belo"no IV Festival Literário Internacional de Diáspora Africana de São João de Meriti às 18:00 na Tenda Carolina de Jesus. É bom chegar antes das 18:00 para prestigiar os demais eventos do Festival. Enquanto isso, hoje vai rolar o lançamento do livro "O Mistério das Quatro Estações" de João Pedro Roriz, que comemora dez ano de carreira no Centro de Artes Calouste Gulbenkian. É arte que não acaba mais!

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Ser ou não ser?

Não sei se Hamlet é o primeiro homem moderno. Não digo que não o é, apenas constato a minha dúvida, sabendo desde já que a negatividade da resposta não desmerece a obra shakespereana, que inspirou sem sombra de dúvida, nomes como Fiódor Dostoiévski, Johann Wolfgang, Sigmund Freud, Friedrich Nietzsche e Lacan. Afirmar ou negar qualquer coisa a respeito desta obra de Shakespeare é quase o mesmo que caminhar na corda bamba com perna de pau.
Em síntese, Hamlet é um dos personagens mais complexos, admirados e apaixonantes da literatura mundial, suscitando distintas interpretações que permeiam, inclusive, o Tempo Presente.
Shakespeare esboçou em linhas dramatúrgicas o que acontecia em seu tempo. Retratou a época, mas com suma perfeição. Independente de qualquer coisa, inaugurou a capacidade de autoreflexão ao colocar o homem diante da morte e diante de si mesmo. Portanto, Hamlet é um homem livre, mas ainda refém de uma força superior, no caso, o espectro do pai que pede a vingança. Na quinta cena, Hamlet chega a apelar ao céu e ao inferno, o que demonstra que apesar do autor ser renascentista, a obra se passa em plena Era Medieval.
A origem inglesa do autor certamente pesa na obra. Ao contrário de outros países da Europa, o protestantismo adentrou  a Inglaterra de forma gradual, o que justifica a catolicidade dos personagens shakespereanos. E o protestantismo é justamente uma das vias do Renascimento.
         Os soldados avistam o epectro do rei falecido, logo, avisam ao príncipe Hamlet. O espectro diz que foi assassinado e que está a condenado a vagar pela noite e jejuar nas chamas durante o dia até pagar os seus pecados, mais uma representação do dogma católico – o purgatório. O espírito ainda lamenta que morreu sem a extrema-unção e sem a confissão. 

Nesta conjuntura, Shakespeare levanta questões comuns ao ser humano, questões que permeiam a vida e a morte, reflete uma nova maneira de pensar em Deus, uma maneira que gradualmente se concretiza no ideário moderno.
É bem provável que Shakespeare tenha se inspirado na hoje esquecida Tragédia Espanhola de Thomas Kid e na história do príncipe dinamarquês Amlet, contada por Saxo Grammaticus no livro Historiae Danicae, e que deve ter chegado ao conhecimento do nosso autor por meio da versão de François de Beelforest, em Histories tragiques (1570).

Agora, com minhas breves observações introduzidas, posso garantir que o meu questionamento é puramente de cunho filosófico. Ele surge diante da subjetividade do próprio personagem, que não tem a consciência de assumir os atos por si mesmo e vive na eterna dúvida de ser ou não ser, abrindo margem para ser uma intercessão entre o pensamento medievo e o pensamento moderno, amparado, ainda assim, pelos caracteres da tragédia grega, sobretudo, em uma linguagem edpiana.
Em nome do pai, Hamlet, o príncipe da Dinamarca resolve se vingar do tio, agora, seu padrasto, e portanto, ocupante do trono da Dinamarca. Orestes, personagem da tragédia grega Electra, escrita por Eurípedes passou por um dilema semelhante. Precisava, a mando do deus Apolo, vingar o assassinato do pai, matando a assassina, que no caso, era sua mãe. Visto que já não cabia inserir o panteão grego na Era Medieval, tampouco, na Moderna, fora utilizado o espectro do próprio rei, que em vez de ordenar, pede a vingança. Percebe-se aí o livre arbítrio.
Há muita coisa em comum entre as duas obra clássicas. Hamlet conta com a amizade de Horácio, enquanto, Orestes conta com a amizade de Pílades.  Tanto Shakespeare quanto Eurípedes bebem da fonte de Aristóteles. Além disso, ambos os heróis estão de regresso do estrangeiro. Essas coincidências não são em vão, visto, que os autores renascentistas buscam resgatar os valores da antiguidade clássica. Há quem diga que o helênico não carrega a agonia de Hamlet, mas pode-se dizer que Electra carrega.
Bibliografia
ARISTÓTELES. Arte Poética. São Paulo: Martin Claret, 2007.
 ______. Ética a Nicômaco. São Paulo: Martin Claret, 2007.
BRANDÃO, Juanito de Souza. Teatro grego: tragédia e comédia. 10. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2007.
ÉSQUILO. Trilogia de Orestes. Rio de Janeiro: Ediouro, 1988.
LORANT, André. Hamlet. In: GRIMAL, Pierre. Dicionário de mitologia grega e romana. 5. ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. p. 436-439.
SHAKESPEARE, Willian. Hamlet. Porto Alegre: L&PM, 2008

domingo, 17 de julho de 2016

O Doente Imaginário

Assisti mais uma vez o espetáculo "O Doente Imaginário" da Cia Depois do Ensaio. Livremente inspirado na obra original de Moliére, sob direção de Thales Sauvo, que ganhou o prêmio de melhor direção no Festival do Teatro Henriqueta Brieba, se destaca por inserir elementos da contemporaneidade, mantendo toques da chamada Commedia Dell'Art.  Neste festival, O Doente Imaginário também levou a melhor nos quesitos atriz coadjuvante, cenário e figurino. Aliás, o cenário, o figurino e a musicalidade dão um tom poético ao espetáculo, realizado constantemente em lonas culturais, arenas e praças. 

Recentemente, o Grupo Depois do Ensaio competiu no 3o FESTTAQ em Taquaritinga (SP) na categoria rua / alternativo, conquistando seis prêmios: Melhor Maquiagem, Melhor Figurino, Melhor ator (Zé Lu Gonçalves), Melhor atriz (Patrícia Furtado), Melhor direção (Thales Sauvo) e Melhor espetáculo. 


Ficam aqui meus incansáveis aplausos a todos envolvidos, não somente pelo bom espetáculo  que proporcionam ao público e pelos merecidos prêmios, mas, pela garra, pela vontade de levar a arte adiante, pelo trabalho de equipe tão visível aos olhos que acompanham esta trajetória brilhante. 


Elenco reunido após apresentação no SESC Ramos

Ficha Técnica

 

Texto Original: Molière
Concepção e Direção: Thales Sauvo
Preparação Corporal: Caio Passos
Concepção Musical: Fabricio Neri
Figurino: Patricia Furtado e Ateliê Maria Fran
Cenário: Thales Sauvo
Iluminação: Ronaldo Damazio
Preparação Vocal: Tamara Innocente
Visagismo: Apoliane Phifer
Intérpretes: Darci Tomelin, Fabrício Neri, Fernando Leão, Izabe Camargo, Patrícia Furtado e Zé Lu Gonçalves

Fotografia: Pablo Rocha Gonçalves e Mônica Parreira
Realização: Grupo Depois do Ensaio

História e Literatura: uma união possível



É possível ensinar História através da Literatura? Respondo que sim. Em 2012, durante as pesquisas para o Trabalho de Conclusão de Curso da pós graduação em História e Cultura da América Latina, deparei com um poema de Machado de Assis sobre a Guerra do Paraguai. Quando comecei a lecionar (2013), resolvi apostar em aulas de História, Filosofia e Sociologia que mesclassem poesia e música, respeitando o conteúdo programático. Não foi fácil. Nunca é fácil romper com qualquer padrão, mas os alunos, no geral, se interessaram mais pelas disciplinas, as notas aumentaram.




A poesia foi um incentivo a mais para eles e para mim. Hoje tenho alunos que escrevem poemas e músicas, alunos que fazem teatro,que desenham, alunos que querem ser professores de História, Matemática, Educação Física... Por conta das aulas diferenciadas fui citado em uma edição da revista argentina Alas de Papel, tenho sido convidado para mesas redondas, palestras e eventos culturais, tenho participado de antologias literárias que abordem temas históricos / historiográficos. A minha maior realização é o reconhecimento dos meus alunos, é ouvir um deles falar: Professor, resolvi voltar a estudar, é ouvir um deles falar: Professor, obrigado! Em síntese, a união da História com a Literatura não só é possível, como é fundamental.



sábado, 9 de julho de 2016

Vivendo a poesia de Jean Carlo Barusso

Confesso que sou refém do chamado empreendedorismo literário. Como poeta, a internet amplia o meu ofício. Como leitor, a internet amplia o meu vício. A minha mais nova aquisição foi o livro Viva a / à Poesia de Jean Carlo Barusso que muito me chamou em duas coisas: a forma como vende os seus livros, cativando o leitor e a simplicidade estampada nos versos, geralmente breves e objetivos. Jean fala de gente, aliás, fala da gente e dos sentimentos que nos rodeiam. Fala principalmente sobre a imperfeição humana. Por isso não é difícil se apegar ao livro. Me (a)pego lendo várias vezes os mesmos versos na tentativa de saber mais de mim através da obra do outro. Sim, Viva a / à Poesia é um espelho, é onde acabo me (re)vendo. Sim, eu vivo a poesia e vivo para a poesia. Obrigado, Jean.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Encontro de Cultura com BRUNNO VIANNA




Quando foi a sua primeira inserção no Teatro (Como ator ou diretor)? (por Márcio Zatta, diretor de teatro)

Sempre gostei de assistir teatro, mas a minha inserção nele foi por acaso. Queria fazer um curso de informática na Estácio de Sá, mas o único curso de férias que tinha vaga era o de teatro, então, resolvi fazer e gostei. Lá me recomendaram o curso livre de Interpretação no Teatro Falabella. Inicialmente fiz para ter acesso aos grandes dramaturgo, mas acabei ficando... Isso foi em 2008.

Você sempre escreveu? Desde que idade? (por Adriano Errer, ator)

Não. Sempre gostei de ler, mas os clássicos nacionais de Machado de Assis e José de Alencar. Não tinha tanto interesse por poesia. Quando comecei a escrever tinha uns 20 anos. Peguei gosto mesmo na faculdade, por conta de alguns trabalhos realizados na disciplina Práticas Pedagógicas. Lá eu tive que escrever poesias, acabei gostando. Consequentemente passei a gostar de ler poesia também.

Entre tantas realizações e prêmios, qual teve maior relevância, um significado especial, e por quê? (Por Victor Fontoura, ator)

São tantos... Primeiramente, o Prêmio Machado de Assis por ter sido o primeiro. Me abre portas até hoje. Tem o Concurso Crônicas Cariocas, onde tive a melhor classificação com alguma crônica. As antologias “O Negro em Prosa e Verso” e “Rio de Palavras – 450 anos de História” da Litteris Editora, “Memórias e Fragmentos da II Guerra Mundial” da Editora Illuminare e “Professores não só ensinam, eles também escrevem” da Big Time Editora, por terem um cunho histórico e pedagógico; as antologia “Confluência de Palavras”, meu primeiro prêmio internacional e “Palavras en El Agua”, por ser um concurso promovido pela UNESCO.  Tem também “Poesia Todo Dia”, um projeto bem bacana que me permitiu ajudar a APAE.

Como você se vê, ator e poeta? (por Débora Zambi, escritora e atriz)

Pergunta difícil, rs... Já me vi de tanta forma...  Mudo sempre de opinião. Faço teatro para tentar entender o mundo. Escrevo para tentar explicar o meu mundo.

Estudou História para ser aprofundar mais no teatro ou para ser professor? (por Gustavo Douglas, ator)

Para ser professor, mas o teatro é um bom complemento.

Brunno, sou sua amiga de Colégio (Ensino Médio). Gostaria de saber quando e qual motivo fez você escrever poesias tão lindas? (por Larisa Torres)

Hoje em dia escrevo mais para questionar o que acho errado. Mas a natureza também me inspira muito. Tenho alguns autores como referências: Clarice Lispector, Cecília Meireles, Mário Quintana...

O que eu quero saber é de onde vem sua inspiração e porque de você, sendo escritor, também não atua? (por Sandra Oliveira, empresária e atriz)

Tem tanta coisa, tanta gente que me inspira que é difícil resumir isso. Gosto de escrever sobre o que não vi, os fatos históricos... Gostaria de me dedicar mais ao teatro. Por outro lado, os livros estão repercutindo bem, dando bom retorno, então, isso acaba ficando em primeiro plano. Tento na medida do possível fazer alguma oficina livre para me atualizar e em breve estarei participando de um espetáculo. 

Qual das tuas atividades te dá mais prazer atualmente? Atuar, dirigir, escrever, declamar, palestrar, dar aula? Ou outra? (por Karla Antunes, escritora)

Escrever porque tenho mais facilidade pra isso. A escrita me dá mais liberdade, mas gosto muito dos desafios que o teatro e uma sala de aula proporcionam e sinto falta disso. As declamações são muito recentes pra mim, ainda estou me adaptando, rs.

O que é a vida? (por Rafael José Nogueira, historiador e poeta) 

Ainda estou descobrindo. Arriscaria dizer que é um plural de coisas que não precisa fazer sentido, mas precisa ser sentida. 



terça-feira, 14 de junho de 2016

O Grande Momento de Letícia Spiller


Letícia Spiller não cansa de se reinventar. A atriz, em cartaz ao lado de Rosamaria Murtinho no espetáculo "Doroteia" de Nelson Rodrigues se prepara para "Sol Nascente", novela que substituirá "Êta Mundo Bom" às 18:00. Na trama de Walther Negrão, Júlio Fischer e Suzana Pires, a bela interpretará a cantora Helena. Além disso, Jorge Farjalla, diretor da Cia Guerreiro, responsável pela montagem de "Dorotéia" tem um novo projeto para a atriz, desta vez, inspirado no universo de Shakespeare. Enquanto Hamlet não vem, recomendo que assistam "Dorotéia" no Teatro Municipal de Uberlândia entre os dias 24 e 26 de junho.