quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Entrevista com Kiury, o cover e sósia brasileiro de Charlie Chaplin.

A primeira postagem de 2015 do blog “Encontro de Cultura” será com o ator Kiury, o cover e sósia brasileiro de Charlie Chaplin. Chaplin até hoje é uma referência mundial no meio artístico. Ele completou em 2014 cento e vinte e cinco anos de nascimento. 2014 também foi o ano do centenário do personagem Carlitos. Como foi fazer esta dupla comemoração nos palcos?

Desde 2013, eu comecei  a pensar em um projeto para celebrar os 100 anos do personagem Carlitos, e os 125 do nascimento do Charles Chaplin.   Em abril de 2014, na semana do aniversário do nascimento do Chaplin, eu estreei o “Centenário Chaplin”. O espetáculo itinerante percorreu algumas instituições de caridade, e não teve fins lucrativos. Foi um trabalho voluntário. Precisava homenageá-lo dessa maneira, e também agradecê-lo por tudo o que recebi e recebo com esse trabalho.  Foi bastante emocionante! Levei o “Chaplin” para locais muito especiais.  Para realizar esse trabalho eu tive o apoio do Filipe Lima, que fez assistência de direção,  Janaína G.Saad, que fez a produção, Alessandra Grani, que gravou os áudios utilizados no espetáculo, Valkiria Nilzen, que elaborou todos os acessórios das cenas, e Giovana Lima, que fez a sonoplastia e contrarregragem.  Todos os apoiadores embarcaram no projeto, e doaram o trabalho. 



Em algum dia você se incomodou em ser reconhecido como o Chaplin e não como Kiury?

Não. O foco desse trabalho é o Chaplin, e foi ele quem criou o personagem “Carlitos”, que também é chamado de “Charlie, Charlie Chaplin, Charles Chaplin, Charlot, ou apenas Chaplin.” Tenho muito respeito com esse trabalho,e cuido com muito carinho da imagem do Chaplin. Quando eu acabo um evento ou show,  procuro não mostrar o meu rosto de “cara lavada”, pois quero deixar a “magia” do Chaplin na mente das pessoas.  Hoje, as pessoas conhecem o meu trabalho, pois são anos interpretando o “Chaplin”. Porém, tudo foi natural. Conquistei o meu espaço com a quantidade de eventos, por sempre trabalhar com empresas grandes,e ter conseguido o respeito dos fãs do Chaplin. Além dos eventos, que muitas vezes faço performances, ações ou recepções, eu faço shows e esquetes teatrais interpretando o Chaplin, e levei o personagem para espetáculos Teatrais. Tenho consciência que estou levando a imagem dele e não a minha, mas isso é orgulho! Chaplin foi, é e sempre será o maior mito do cinema.



Quando você decidiu interpretar Chaplin?

Muitas pessoas comparavam os meus traços com os dele. Sempre foi assim! Sempre falavam do meu olhar... Em 2006, eu estava no casting de uma agência de atores, e me ligaram para interpretar o Chaplin. Foi muito interessante a história! Como os meus primeiros eventos já foram grandes, pois fiz recepção em um evento da “Net”, e um da rádio paulistana “Energia 97”, eu percebi que poderia investir. Antes de começar esse trabalho, eu já era fã do Chaplin, o que contribuiu muito.  Então, decidi que esse seria um trabalho paralelo ao meu trabalho de ator.



Pode falar de “Revaudeville”, primeiro espetáculo onde você interpretou o Chaplin?

Em 2012, eu entrei para o elenco do “Revaudeville”, que foi um espetáculo de variedades. A atmosfera era bem retro! Foi uma experiência maravilhosa! Além da interpretação do Chaplin, eu fiz assistência de direção para a Lady Burly, que dirigia o espetáculo, e escrevi as esquetes teatrais. Foi a primeira vez que levei o Chaplin para um espetáculo de Teatro. Já tinha 6 anos de trabalho de cover, mas ainda não tinha feito nenhuma peça interpretando o Chaplin. Nessa época eu já fazia shows, performances e esquetes teatrais em eventos, casas de shows e espaços públicos, mas sentia a necessidade de entrar em uma peça de Teatro com esse personagem. Em “Revaudeville”, eu trabalhei vários lados do personagem, fui do drama para a comédia.



O Chaplin de alguma forma te influenciou em outro personagem?

Em 2002, quando eu ainda não interpretava o Chaplin, eu entrei para um espetáculo infantil, e estudei o Chaplin para compor o personagem. Não é curioso?  Nessa época eu nem imaginava que seria cover dele! O espetáculo era o “Pinócchio”, e eu interpretei o Grilo Falante. Para criar a linguagem corporal do personagem, eu estudei o Chaplin, Commedia Dell Arte, dança- teatro e circo. Era um personagem lúdico, caricato e cheio de vida! O Charles Chaplin sempre será uma influência no meu trabalho, pois ele é o meu ator favorito.



Como você lida com as críticas?
Para fazer crítica você precisa saber por onde começar... Muitos críticos são artistas frustrados, isso é o que sempre me dizia Walter Portella, que foi o meu primeiro mestre Teatral.
A melhor crítica é aquela que aponta os pontos positivos e negativos. Nem todos tem o talento para isso! Temos que ter cuidado ao criticar o outro. A crítica incomoda quando ela é maldosa, e possui um ar de inveja.

Você já montou algum drama?

Eu atuei em várias peças dramáticas. Mas só dirigi dois dramas.
Em 2002, eu montei o espetáculo “Delírios”, quando assumi a direção.
Em 2003, eu escrevi o texto “Um Dia Você Vai Entender”, que é um espetáculo adolescente, e fala sobre homossexualidade. A primeira montagem aconteceu no ano de 2004, e foi uma das grandes loucuras que fiz na carreira, pois mesmo sem muitos recursos, apoios e patrocínio, eu aluguei um teatro, corri atrás de público e coloquei o espetáculo em cartaz. Agradeço eternamente ao elenco que esteve comigo nessa aventura!!!
Desde 2009, Filipe Lima, que é um amigo pessoal, dirige o espetáculo. “Um dia você vai entender” já esteve em cartaz em vários teatros de São Paulo, e passou por 7 temporadas. Já atuei em algumas temporadas. Nunca tivemos patrocínios, mas conseguimos alguns apoios. Muitos profissionais da área artística já passaram por essa peça, e foram importantes para a história dela. Existe uma mensagem de amor e luta contra o preconceito. Já emocionamos muitos adolescentes, jovens e famílias.

Como ator qual personalidade você não interpretaria?

Não tenho pudores com isso, e interpretaria qualquer tipo de personagem. Acredito que o ator precisa estar disponível e entregue. Eu não trabalharia em alguns programas de TV ou espetáculos, que eu acredito que poderiam agredir o público ou espectador. Acredito que o artista tem a obrigação de respeitar a plateia. Também não ligaria o meu nome com algumas empresas em filmes comerciais, principalmente se eu souber de algum histórico de machismo, racismo, homofobia ou desrespeito com os animais. Personagem eu faria qualquer um, trabalhos nem todos! Existe diferença.

Você é engajado em projetos sociais, onde o seu Chaplin tem suma importância. Qual a repercussão deste seu trabalho?

Sempre trabalhei com voluntariado. Isso vem da minha família. Minha mãe sempre teve, e tem uma alma voltada para a caridade. Realizei trabalhos em hospitais, ministrei muitas aulas de Teatro em comunidades carentes, e fazia shows de palhaços gratuitos. Sinto a necessidade de levar o Chaplin, e doar essa Arte. Acho importante fazer esse tipo de trabalho. Você precisa doar, e não apenas querer receber.

 


Como estão seus projetos?

Hoje, passaram aquelas ilusões que muitos atores e atrizes possuem! (risos) Eu deixo a vida e a carreira me levarem! Não tenho pressa.



Fale um pouco das peças em que atuou :

Comecei minha carreira em 1998, atuei em alguns espetáculos Teatrais. Trabalhei com os diretores Walter Portella, que me dirigiu nos espetáculos “Os cabeças quadradas” e “Infidelidade teu nome era amor”, Péricles Martins, que me dirigiu em “Anjos Profanos”, Charles Daves, que me dirigiu no musical infantil “A pequena sereia”, Edson Mendes, que me dirigiu no infantil “Pinócchio”, Ivaldo Bertazzo, que dirigiu o musical “Mãe Gentil”, que eu fiz parte do coro dançante, e trabalhei com outros diretores. Todos os processos foram importantes.



Para finalizar, qual mensagem você quer passar para as pessoas que acompanham o seu trabalho?

Não quero ser apenas um artista de entretenimento. Gosto de conteúdo! Quero através do meu trabalho fazer as pessoas sorrirem acreditarem nelas, mas quero fazer elas refletirem, pensarem ou conhecerem sobre algum assunto. Acredito no papel social do artista, e preciso ser um instrumento para isso. A arte existe para o mundo ser mais precioso, e não sobrecarregado de situações e coisas que prejudicam a nossa existência. A arte faz as pessoas desejarem um mundo melhor para elas, para o planeta e para os outros. Namastê.






domingo, 16 de novembro de 2014

Blackbird na Casa de Cultura Laura Alvim

Baseado em fatos reais, o espetáculo Blackbird, em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim é, de longe, um dos melhores que assisti nos últimos tempos. Trata-se de uma verdadeira aula de dramaturgia e de interpretação, explorando um grande tabu de maneira competente.

O premiado texto de David Harrower, que tem no Brasil, a direção de Bruce Gomlevsky, vem agradando o público e a crítica em temporadas bem sucedidas. Antes mesmo dos atores entrarem em cena, o cenário intimista já chama a atenção do público por estar repleto de lixo. O espectador se sente preso e desconfortável. Causar este efeito foi uma boa sacada da produção, já que as personagens, muito bem defendidas por Viviani Rayes (Una) e Yashar Zambuzzi (Ray), são presas ao passado, e revirar o passado gera nelas um desconforto.

Una e Ray viveram uma tensa relação há quinze anos atrás, quando ela tinha apenas doze anos, e ele, quarenta. Ray cumpriu pena pelo crime de pedofilia e agora está disposto a refazer sua vida, assumindo, inclusive, uma nova identidade. 

Eu já assisti Vivany numa comédia romântica, mas vê-la num drama foi uma grata surpresa. Achei bem interessante o contraste entre os dois. Ela, às vezes explode; às vezes demonstra fragilidade e às vezes é irônica. Ele, segue sendo mais receoso, talvez por querer esquecer o passado que ela faz questão de lembrar. Talvez, o lixo espalhado no palco seja uma simbologia ou represente as frases não ditas, as  expectativas criadas... Pensei nisso justamente quando um começou a jogar lixo no outro. 

Enquanto tento encontrar palavras para expor minhas opiniões sobre a peça, penso em vários "talvez"... Talvez eles se amem de verdade, talvez não... Talvez eles não consigam sair dali... Talvez resolvam ficar juntos... Talvez não se vejam nunca mais... Qual ponto de vista é o correto? O dele ou o dela? Uma coisa é certa: As incertezas que guiam o espetáculo. Mais um acerto da equipe foi aproveitar-se disso, tanto na iluminação, quanto na sonoplastia. 

Um dos momentos mais fortes do espéculos é quando entra em cena uma terceira personagem: : uma menina que demonstra afeto por Ray. Neste momento, fica visível o desconforto do público, que aguarda com ansiedade o desenrolar dos acontecimentos.

Blackbird está em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim de quinta a sábado às 21:00 e domingos às 20:00.


Ficha Técnica

Elenco: Viviani Rayes, Yashar Zambuzzi e Bella Piero
Texto: David Harrower
Tradução: Alexandre J. Negreiros 
Direção: Bruce Gomlevsky
Direção de produção: Viviani Rayes
Produção executiva: Yashar Zambuzzi
Cenário: Pati Faedo 
Cenotécnico: André Salles
Figurinos: Ticiana Passos
Iluminação: Elisa Tandeta
Técnico de Luz: Rafael Tonoli 
Operador de Luz: Samuel Rottas 
Trilha original: Marcelo Alonso Neves
Assistente de direção: Francisco Hashiguchi 
Assistente de produção: Glau Massoni
Assessoria de imprensa: Alessandra Costa
Programação visual e fotografias: Thiago Ristow
Fotos de Cena: Thaissa Traballi
Realização: Rayes Produções Artísticas
Idealização: Te-Un TEATRO




segunda-feira, 29 de setembro de 2014

O Tempo não para.... Cazuza também não!

Agenor de Miranda Araújo Neto, conhecido popularmente como Cazuza morreu em sete de julho de 1990, vítima do HIV,mas sua obra e o seu nome estão mais vivos do que nunca, seja através de sua mãe, Lucinha Araújo, engajada em projetos sociais, seja através do cinema, do teatro ou shows de hologramas. No cinema, o poeta foi vivido por Daniel de Oliveira e no teatro por Emílio Dantas. Duas visões de Cazuza diferentes, mas que se completam.

Daniel de Oliveira se preparou um ano e meio para viver um dos personagens mais importantes de sua carreira. O ator disse à Revista Época que chegou a alugar um apartamento em Leblon e colocou um poster dele no seu quarto para se acostumar com a imagem. Mas teve um momento em que Walter Lima Júnior disse para o Daniel esquecer o Cazuza, jogar tudo fora e fazer ele mesmo. A convivência com Lucinha Araújo e com os amigos de Cazuza da época foi fundamental, tanto para Daniel de Oliveira quanto para Emílio Dantas, que interpretou Cazuza no teatro. O estilo despojado de Cazuza influenciou todo o trabalho por trás das câmeras. Trabalharam apenas com câmeras leves. Para alguns fãs, o filme não foi tão fiel, faltaram algumas coisas. Claro que faltaria. São dez anos contados em noventa minutos. Mas isso é Cazuza: sempre apressado. Ele preferia viver dez anos a mil do que mil anos devagar.

Já Emílio Dantas não é fisicamente muito parecido com Cazuza, mas o timbre é semelhante. Ele optou por não assistir ao filme estrelado por Daniel para não pegar as nuances do ator. Aliás, antes de ser ator, Emílio Dantas já cantava profissionalmente.  Os dois Emílio também teve muito contato com Lucinha Araújo durante o processo de preparação.

Além de Fejat, Ney Matogrosso e Luiz Melodia, quem tem cantado o repertório de Cazuza é Maria Gadu dentro do projeto Banco do Brasil Covers. As homenagens não param por aí. Há treze anos atrás, foi construída no Leblon a Praça Cazuza. O tempo não para... Cazuza também não!




Fontes:
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR64712-5856,00.html
http://guia.folha.uol.com.br/teatro/2014/07/1487321-pro-dia-nascer-feliz-o-musical-ator-fala-da-preparacao-para-viver-cazuza.shtml

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A Espera






O projeto Furo de Pauta do SESC de São João de Meriti apresentou no dia 25 de setembro de 2014 a peça “A Espera” da Cia Teatropelo. Sou suspeito para falar de peça teatral de cunho político e histórico, mas a nova montagem da Cia Teatropelo superou as expectativas ao quebrar a tensão dos anos de chumbo com a dose certa de humor.
            A primeira coisa que me chamou atenção foi o cenário: bonecos decapitados ao fundo e os objetos cênicos como a cafeteira e os ovos. O cantor Tuco, interpretado por Tiago Machado, permanece trancado em seu quarto. Quantos não permaneceram trancados dentro de suas casas ou dentro de si mesmos, enquanto do lado de fora, pessoas morrem ou simplesmente desaparecem? Esperamos tantas coisas de nós e dos outros, e o preço, muitas vezes é caro: a liberdade.
            Tuco espera retomar sua carreira, interrompida pelo regime militar. Espera os músicos enviados pelo seu amigo Mingo. Eis que entra Sebastian (Cláudio Galvão) e o espetáculo começa a fluir. As interpretações são verossímeis. Os atores trabalharam no processo desta peça durante um ano e meio, sob a supervisão do diretor Abílio Ramos. A química entre elenco e direção é visível.
            Um dos pontos mais altos da peça foi a declamação do texto de Raul Seixas, fechando com chave de ouro. Falando em Raul, a trilha sonora escolhida é um espetáculo à parte. As próximas apresentações de "A Espera" serão no Teatro Armando Gonzaga em Marechal Hermes nos dias 03 e 04 de outubro às 20:00 e no dia 05 de outubro às 19:00. 

sábado, 6 de setembro de 2014

Marlene Dietrich - As Pernas do Século


Está em cartaz no Teatro Maison de France, o espetáculo Marlene Dietrich – As Pernas do Século de Aimar Labaki sob a direção segura de William Pereira.  Quem tem a missão de interpretar a diva alemã que se naturalizou americana para combater o Nazismo é Sylvia Bandeira, que chega a cantar em inglês, alemão, russo e francês. Na trama, ela conhece um entregador de bebidas, vivido por José Mauro Brant, que consegue segurar bem a responsabilidade de manter a comicidade do espetáculo. É com ele que ela divide suas memórias. Os dois, ao lado de Marciah Luna Cabral e Sílvio Ferrari dão um show à parte quando cantam, em especial, as músicas Ne me quitte pas, Ruins of Berlin e Lili Marlene.

O autor acerta ao mesclar o presente com o passado, e o diretor, ao conciliar as passagens de tempo com movimentos bem marcados, sobretudo, quando Marlene abandona a poltrona. Roberto Bahal, que também assinou a direção musical de "Palavra de Mulher", mais uma vez mostra seu talento ao assumir os arranjos de Marlene Dietrich. 

Pode-se dizer que Marlene Dietrich tinha as pernas mais famosas do século passado. Aliás, ela era bem mais que duas belas pernas. Foi uma mulher à frente do seu tempo. Se apaixonou por todos os tipos de pessoas, sejam homens ou mulheres, entre eles, Gary Cooper, Edith Piaf, Jean Gabin, Frank Sinatra, Cole Porter e Eric Maria Remarque. Foi atriz de rádio, cinema mudo e falado e televisão, além de ter cantado em cabaré. Sua personalidade era mais visível que seu talento, que só foi reconhecido a partir do filme O Anjo Azul. Trocou Hollywood por Durante a II Guerra, Marlene fez a sua parte. Deixou Hollywood para lutar ao lado dos Aliados na II Guerra Mundial.

Os figurinos, fiés à época dão a elegância  e o intimismo que o espetáculo pede. Não são poucos os que acham que Sylvia Bandeira está em seu melhor momento. Suas expressões são tão ricas que ela nem precisa de maquiagem pesada para reforçar as características de sua personagem, então, com noventa anos. 

MARLENE DIETRICH - AS PERNAS DO SÉCULO
Teatro Maison de France (Av. Presidente Antônio Carlos, 58)
Quinta : 19H30 R$ 60,00
Sexta : 19H30 R$ 60,00Sábado : 20H00 R$ 80,00Domingo : 18H00 R$ 70,00

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Brasil ou Alemanha???

O Brasil é o país dos contrastes até mesmo no futebol. O pentacampeão perdeu de goleada para a Alemanha. E onde está o patriotismo presente nos jogos da Croácia, Camarões e Chile? Pois é, esse é o nosso povo que torce quando convém. Aliás, torcer para a seleção não significa, necessariamente, ser patriota. Agora virou moda comparar o Brasil com a Alemanha, um país que seria exemplo na educação e na saúde.
Até que ponto o futebol e a política se misturam? Será que a derrota do Brasil poderá influenciar de alguma forma o resultado das eleições? O fato é que a política é uma caixinha de surpresa e o futebol também. 
Bom, eu parto do princípio que não devemos comparar pessoas, tampouco, comparar países. Li no facebook que a Alemanha tem uma história linda. Não foi uma pessoa que escreveu, mas várias. E isso se reproduz de forma assustadora, assim como o slogan "Tem estádio, mas não tem saúde; tem estádio, mas não tem educação". Confesso que tenho medo. Será que as pessoas não estão reproduzindo este conteúdo sem uma análise crítica apropriada como se tudo que postassem no facebook fosse verdade?   
É certo que a Alemanha de hoje não é a sombra da Alemanha que lutou as guerras mundiais. O país melhorou em todos os sentidos, mas o Nazismo não tem nada de lindo, convenhamos. E se o Brasil quiser chegar ao "nível" da Alemanha, o primeiro passo não está numa reforma política, e sim numa reforma social. Em algumas cidades alemãs é proibido beber cerveja ou vinho em lugares públicos. A classe media de lá não tem o costume de comprar carros antes dos vinte e cinco anos, e quando compra, permanece anos com o mesmo. Eles não têm empregada doméstica e nem previdência social. Na media, os planos de saúde e os transportes são tão caros quanto no Brasil. A mão - de - obra é supervalorizada, ou seja, não há pechincha, não há descontos, nem adianta chorar.
No país de Isabel de Baviera o jeitinho brasileiro não tem vez. Será que estamos prontos para morar na Alemanha? Mesmo se tivesse esta opção, ficaria no Brasil. O que resta é aproveitar o final da Copa. Se a taça será da Alemanha ou da Argentina, não sei, mas quem ganhou mesmo de goleada neste mundial foram as mulheres: Dilma (Brasil), Isabel (Alemanha) e Cristina Kirchner, mais um motivo para essa ser considerada a Copa das Copas. Boa noite!

domingo, 1 de junho de 2014

História em Versos

Seguem alguns poemas que escrevi para serem trabalhados em sala de aula:

Pré – História
Eles viveram antes que houvesse a nossa escrita
Mas nem por isso
Suas vidas foram menos bonitas
Já que toda gente
Tem história para contar
Por mais que sejam “estranhos”,” monstros” e “brutos”
Se comunicavam por rabiscos
Em quaisquer muros
Seja pedra polida ou lascada
Toda história precisa e merece ser contada.

Roma (publicado na antologia Professores não só ensinam, eles também escrevem da Big Time Editora)
Da loba nasceu Roma
Eis que os Bárbaros testemunharam
A decadência de um Império
Que no Oriente encontrou uma resistência...
Entre Constantino e a cruz,
Um Mistério
A Cultura Antiga se dissipa
E renasce com os humanistas
E resiste a cada dia
No interior dos tribunais. 

Atlântico (Poema escrito para a peça A Sinhá e O poeta, apresentada em 24/10/2012. Foi publicado na antologia Professores não só ensinam, eles também escrevem da Big Time Editora.) 
Choravam as vozes negras
Dos que deixavam a pátria
Choravam mães e filhos
Órfãos da África
Gente que não era gente
Corpos sem alma
Morriam como indigentes
Jogados ao mar...
Dos que restavam o futuro era incerto
A esperança, pequenina
Ficam aos navegantes, as partidas comuns
Ficam aos órfãos as cicatrizes...   

Independência (publicado na antologia Professores não só ensinam, eles também escrevem da Big Time Editora) 
Tudo começa quando João aqui adentra
Os ingleses anunciam as novas vendas
O monopólio português cessa
A esperança está acesa
O Teatro é Decente, mas o povo é indecente
Na visão de Carlota Joaquina
Aos ventos, a carnificina
Eis que Pedro dá o grito no Rio Ipiranga
Enquanto João estava com a voz entalada na garganta
O Príncipe Regente vira o Imperador Primeiro
É tido como herói e guerreiro
Mas foi morrer em Portugal
Deixando o meninote sozinho
Ao som do Carnaval
Amante das artes e das letras
Dos coqueiros e das bananeiras
E dos sonhos de liberdade
Para cessar as revoltas
Assumiu a maioridade
Da popularidade que tinha o segundo Pedro
Isabel não fazia sombra
Era casada com um estrangeiro
Causando ao povo uma desonra 

A Redentora
País cheio das riquezas
Ainda no regime da escravidão
Até que veio a princesa
E libertou do cativeiro
Os nossos irmãos
Mas sem indenização.
Isabel, a redentora
Era católica até na sombra
Os filhos tardaram
Dando ao marido francês má fama e desonra
Ele, que no Paraguai
Deu um passo para a abolição
Que tiraria o país de dimensão continental
Da contramão
Isabel não era tão popular como o pai
Mas assinou a Lei Áurea 
Dando aos cativos a sonhada alforria
Ato que rompeu, no ano seguinte
Com a monarquia
A república não tardou
Ninguém constatou a mudança
O Imperador exilou-se
Levou pedaços do Brasil
Para Portugal e para França
E assim termina a longa história
Da monarquia de Bragança.
    


Identidade (publicado na antologia professores não só ensinam, eles também escrevem da Big Time Editora). 
Eu sou um
Você também.
Juntos nós somos muito mais que dois.
Eu sou branco e tu és negro
Juntos somos todas as cores.
Do verde e amarelo ao azul e branco
Da África sou riso
Da Europa sou pranto
Sou de lá e daqui
Quem sabe sangue tupi...
Meu pai é de Kardec e minha mãe de Iemanjá
Eu sou de Santo Antônio
Que um casamento vai me arranjar
Acredito que do Pai também sou filho
Sou de Amazonas, mas moro no Rio.
Não há motivos para vertigem
Pois no fundo somos da mesma origem.