quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Entrevista com Juka Garibaldi

Num momento em que muita gente faz teatro pelo glamour que ele pode proporcionar, deixando de aprender o verdadeiro sentido da arte, o entrevistado de hoje é Juka Garibaldi, um ator do bem, mas, que não tem papas na língua e não pensa duas vezes quando se precisa defender sua profissão. Juka, o que é ser ator?

Ser ator é ser um formador de opinião,é viver muitas vidas e continuar com a sua vida...é ter um papel de extrema importância como ser humano,como cidadão...é acima de tudo ser um observador de gente.



É difícil fazer teatro no Brasil?

Muito, tem épocas que tenho muito trabalho,outras épocas nem tanto...Mas sempre tem algo seja peça,comercial e até mesmo leituras. Mas é difícil, porque temos que estar sempre atentos,enviando material,pois nada cai do céu.


E televisão? Conte-nos a experiência de gravar um comercial com Rodrigo Faro e de gravar a novela Tititi...

Então,na verdade foi um comercial ótimo de se fazer,gravei em uma tarde até o início da noite. Fazer publicidade é mais rentável,eu adoraria fazer sempre!É algo que amo fazer,gratificante e que te valoriza como profissional, muitas vezes são esses comerciais que salvam a tua conta...Em relação a Tititi foi em 2010,eu lembro que o que mais curti foi ficar atento,pois quem dirigia era o Jorge Fernando,ele é mestre!Conheci muita gente legal lá...Como a Gulhermina Guinle que é ótima, a Ana Paula Guimarães(Ex paquita Catu),que na época era assistente de direção...lembro de um fato bem divertido: Estávamos eu e a Catu,atrás do cenário,olhamos para o chão e vimos uma enorme marmita cheia de comida,parecia até um despacho... hehehhe ... A gente olhou aquilo e riu muito...era uma diversão gravar lá!

Quem te conhece sabe da sua paixão em colecionar objetos antigos, fale um pouco sobre isso...

Na verdade eu sou uma pessoa "brecholenta",amo coisas antigas,seja roupas, obejtos... e atualmente coleciono brinquedos antigos,uma paixão"antiga",pois sou louco por brinquedos e resolvi garimpar alguns que fizeram parte da minha infância e assim surgiu essa coleção.

Quantos anos de carreira?

Teatro amador comecei em 1995,contando amador e profissional tem ai uns 18,sendo que fiquei parado 4 anos...porque fui morar no sul,e quando voltei ao Rio já voltei fazendo novamente.

Pode fazer um resumo sobre sua biografia?

Eu nasci no Rio Grande do Sul, sou capricorniano,comecei a fazer teatro em 1995,mas a primeira vez que subi no palco eu tinha uns 09 anos...Antes de me formar em teatro,cursava a faculdade de Jornalismo,mas não cheguei a concluir. Sou filho de advogado e empresária, tenho 2 irmãos,sou casado tem 07 anos...e sou carioca de alma!ta bom assim?

De tudo que li sobre você, sobre os personagens que interpretou, quem chamou atenção foi a Rainha de Copas de “Alice no Buraco”. Quais as semelhanças com a Rainha de Alice no País das Maravilhas e as diferenças, levando em consideração que o espetáculo é voltado ao público adulto?

Esse personagem foi um presente da querida Regiana Antonini, ela foi viajar e levou a peça para ler e decidir os papéis, quando voltou fez uma leitura e cada um leu o papel que ela havia pedido pra ler...eu li a Rainha e no final ela disse: Juka a Rainha é sua...foi um baita desafio,tive que aprender a andar de salto,colocar cílios...foi um barato fazer!A diferença é que ela era dona de um bordel,uma cafetina...as semelhanças estavam na personalidade,pois ela era muito má, pavio curto e muito mandona.

Em “João e Maria  - A Noite das Bruxas”, você interpretou duas personagens: o pai e o lobo. Como foi essa experiência?

Eu tenho algo que me puxa,sempre para fazer vilões... já fiz alguns ai,quando fui chamado para fazer João e Maria, lembro que fiz a audição e pediram pra gente esperar fora do teatro...Tive que cantar no teste,dançar...ai quando chamaram de volta, pensei acho que não vou ficar,sei lá...mas ai me deram 2 personagens...O pai não tinha muito pra onde ir,era um pai,que ia em busca dos filhos, lembro que o legal era o processo de envelhecimento,ficava bem envelhido com a make...Já o Lobo que era um vilão,mas com muito humor,eu viajava!Era ótimo fazer,ele era apaixonante,embora fosse um vilão, se tornava querido,por ser engraçado ao mesmo tempo.A temporada terminou,e a saudade ficou.

Em “Nóia”, o seu personagem tem medo de morrer dormindo? Como é o laboratório desses personagens mais complexos que desnudam a alma humana?

Em Noia,foi mais doido ainda...recebi um convite pelo Facebook,hehehe...Viva a internet! Mas então,eu sempre gostei desses personagens "problemáticos"...Eu vi muitos filmes de gente que não dormia e muito eu descobri na minha insônia,pois eu sofro disso...Mas o Fábio (personagem) era muito maluco,ele tinha uma fobia de morrer dormindo, senão ele não ia saber que morreu...eram 4 personagens loucos em cena.O texto é ótimo,foi legal fazer.


O que você diria para quem quer começar a fazer teatro hoje?

Diria para se fazer uma única pergunta: Você ama teatro?
Se a resposta for sim!Vá em frente...estude,tenha foco,e não desista...se for não sei ou apenas gosto,eu digo:Busque outra coisa,pois teatro não é fácil,é instável,temos que fazer o impossível muitas vezes...Teatro é para quem quase morre quando está sem trabalhar,é pra quem sente o cheiro da coxia,em uma tarde como essa...acabei de sentir aqui,fazer teatro é para quem tem responsabilidade!Pois para quem quer só aparecer não  dura muito no nosso mundo do teatro,o teatro expulsa quem não é de teatro.


domingo, 2 de junho de 2013

Geração Trianon

Fazer teatro é desafiador, mas o desafio é ainda maior quando o espetáculo em questão já foi montado várias vezes por diferentes por diferentes companhias. Como inovar diante disso? Parece que o Grupo Ta Errado tem a resposta. Eles são responsáveis pela mais nova montagem de Geração Trianon de Annamaria Nunes. Os atores mergulharam a fundo em suas personagens,imprimindo, sob a direção segura de Bruno Seixas, uma nova cara para a peça, que conta a história de um empresário de uma companhia teatral, que está perdendo o seu público. Ele resolve então, contratar uma nova escritora para escrever dentro de cinco dias. Vale a pena conferir! O espetáculo está em final de temporada  na Cia de Teatro Contemporâneo (Rua Conde de Irajá, 243 - Botafogo) às 20:00 - acaba hoje! 

sábado, 2 de março de 2013

Comédia com V

No dia 12 de março o ator Victor Lamoglia estará completando 20 anos de idade no palco. Vai apresentar ao lado do amigo Vitor Thiré o espetáculo Comédia com V às 20:00 no SESC Tijuca (Rua Barão de Mesquita, 539). A inteira custa R$ 20,00. Estudantes e idosos pagam R$ 10,00. Os associados do SESC, apenas R$ 5,00. Será única apresentação! Então, corram que as risadas com esses dois, são garantidas!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Tudo por um pop star

Vale a pena tudo por um pop star? Se a pergunta for a respeito da peça baseada no livro homônimo de Thalita Rebouças e escrita brilhantemente por Gustavo Reiz, claro que vale! estiver falando da peça, claro que vale! O elenco afiado e bem afinado narra a trajetória de jovens que fazem tudo para assistirem um show da banda preferida, sob a direção de Pedro Vasconcelos. Não se trata de um musical voltado aos adolescentes, mas para a família toda, afinal quem nunca lutou para ver seu ídolo de perto?



CENTRO CULTURAL JOÃO NOGUEIRA (IMPERATOR)
Rua Dias da Cruz, 170 - Méier - Rio de Janeiro
Sextas às 17:00 e Sábados às 20:30
TEATRO CLARA NUNES - SHOPPING DA GAVEA
Rua Marquês de São Vicente, 52 - 3o andar - Rio de Janeiro. 
Quartas às 20:00
Sábados às 16:00
Domingos às 16:00

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Ser ou não ser?

Hamlet, um dos mais famosos textos de Shakespeare ganhou uma nova montagem. Os responsáveis são alunos do Teatro Miguel Falabella, sob a direção segura de João Marcello Pallotino. Um texto ousado precisa de um elenco ousado, que olha no olho, que se despe de qualquer vaidade e se entrega à cena. Foi isso o que aconteceu com os atores de Hamlet, sobretudo, com Emília Alcoforado, que ganhou merecidamente o prêmio como melhor atriz do festival ao dar vida à Ofélia. A próxima apresentação será no dia 18 de março às 20:30. 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

O Fim do Mundo nunca foi tão divertido.

Quer se divertir? A peça O Fim Do Mundo está em cartaz no Tijuca Tênis Clube - Teatro Henriqueta Brieba, todos os sábados de novembro às 20:00. Não perca!



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Que seja Doce, meus Queridos amigos

(Por Leandro Moraes)


                Era sexta feira e eu decidi que passaria meu final de semana comigo mesmo, sozinho, se possível trancado no quarto sem ver ninguém. Impossível quando se tem em mãos PARA SEMPRE TEU, CAIO F. Uma espécie de biografia escrita pela jornalista Paula Dip, mais que amiga, irmã de alma de Caio. O livro se utiliza de depoimentos de amigos, cartas trocadas entre Caio e Paula e as lembranças da jornalista para reconstruir não só a vida de um dos maiores escritores do país, mas para radiografar uma sociedade, os costumes, seus personagens perdidos em uma metrópole cruel que engole seus “filhos” e agregados que chegam de toda parte. De Porto Alegre em 60 à Europa em 70, até São Paulo em 80, à morte em 96, o livro vai nos mostrando a personalidade ora doce, ora ferina de Caio; Nos apresenta um homem-gay capaz de não sair de casa por causa de uma junção entre Urano e Saturno, mas disposto a enfrentar de peito aberto o fuzil de um militar; Nos exibe um ser humano ímpar, tanto pelo seu talento ( ele era um ourives das palavras, um mago da língua) quanto pelo seu desprendimento com os bens materiais, tão valorizados pela geração coca-cola e se o meu desejo de isolamento já estava abalado pelos seres recriados no livro, ele ruiu definitivamente quando dei play em QUERIDOS AMIGOS, série de Maria Adelaide Amaral exibida em 2008 e que eu (graças a Deus, ou não!) assisti e anos mais tarde comprei o box para guardar. No primeiro contato não fui capaz de entender a grandeza da obra, mas após a maratona imerso naquele universo pude sentir, de modo sensível, claro, mas ainda distante o que realmente foi a ditadura brasileira e a ressaca da “turma” nos anos que seguiram o seu final; Se no livro podemos imaginar os personagens, na série eles ganham corpos, trajes, trejeitos, cores, e vão nos guiando por uma São Paulo acinzentada, pontuando momentos importantíssimos como as primeiras eleições diretas em anos, a vitória de Collor, a inflação galopante, a informática, Sassá Mutema, sempre muito bem temperado pelos seus dramas pessoais; Atores inspirados, um texto bem amarrado, sensibilidade à flor da pele, todos os ingredientes necessários para que o programa já figure entre as melhores produções já realizadas pela Tv Globo e é claro que meu encantamento por essas obras se deve em parte pela reconstrução fiel dos anos 80, época mítica na minha cabeça, pelo meu ávido desejo de ter vivido tal década ( azar o meu ter nascido em 89) e pela admiração que tenho por Caio, (agora) por Paula e por Maria Adelaide Amaral; Não me lembro muito bem quando foi a primeira vez que experimentei Caio Fernando Abreu, lembro apenas ter sido marcante ao ponto de se tornar meu objeto de estudo no último ano de Faculdade; Maria Adelaide foi com Anjo Mau. Era fã da novela e passava meus fins de tarde, lá atrás, em 1997, observando as peripécias de Nice e seu incontrolável desejo de ascensão social. Depois vieram suas minisséries históricas, seus remakes e seus livros, que foram suficientes para me tornar admirador de sua obra, de sua vida, de sua postura. Paula, mulher bonita, inteligente, mãe, divorciada, talentosa, meio tímida, pra mim, antes, quase desconhecida, hoje, quase amiga. Ele um escritor dito maldito, gay, depressivo, profundo conhecedor de astrologia, um “estrangeiro em sua terra natal”, ácido, capaz de proferir belas palavras aos amigos e em seguida críticas ferinas capazes de “destruir” seu alvo. Maria Adelaide é portuguesa de nascimento, brasileira por formação, fumante, esposa, jornalista, também admiradora da nobre arte dos astros; Meu deslumbramento acontece também graças a três jornalistas, três sobreviventes, três hábeis “fotógrafos” da realidade brasileira durante e após a ditadura e capazes se de valerem das agruras individuais para falarem do coletivo, de conseguirem discutir tempos obscuros , remexerem em tudo que foi coberto pelo manto da opressão, esmiuçarem a psicologia humana, questionarem as regras e, em tempos diferentes, plantarem a semente da esperança numa sociedade até então Mofada, como os morangos do Sempre Nosso, Caio F.
                                                                                                                                                                                                                              Leandro de Moraes